Guia de Sobrevivência: Como se Comportar num Funeral sendo Indie
By Sergio on fev 15, 2009 in diversos, humor

Quando morre um conhecido, é sempre chato. Mesmo que não seja você quem cometeu o crime, dá uma dorzinha, uma dó no coração e a inevitável reflexão: “Ah, se fosse comigo”. Não, não é pra pensar como se você tivesse morrido, mas na dor de quem fica e tem que enfrentar o processo de perda e superação.
Quase tão difícil é escolher o que vestir. Há uma máxima que impõe roupas sóbrias, de preferência escuras. Já vi viúva brava por ter sido ofuscada por uma “convidada” reluzente, em um tubinho prata e lencinho branco nas mãos. Para ela, era a morte que alguém pudesse parecer tão confortável, bem e estroboscópica numa situação dessas.
Para nós, indies, o jeito é apelar pro all-star preto de lona. O de couro não é apropriado para um velório, afinal, é tecido morto. Calça escura, que pode ser xadrez (básica) e camisa. Óculos escuros são opcionais. Só não vale usar o wayfarer sem lentes. Vai parecer que você está drogado ou tirando sarro.
Não exagere nos tons escuros, podem te confundir com o mestre de cerimônias. Ensaie um discurso em casa. O “Fulana, eu sinto muito, que Deus conforte o seu coração” costuma funcionar bem. Evite improvisos. Certa vez, tentando ser simpático, perguntei se havia sido uma morte rápida. Isso é legal NOT.
Durante o velório, por favor, não circule nas outras salas. Sempre há os urubus que passam em cada ambiente, perguntando a causa da morte e cumprimentando a família. Você é um CSI? Vai investigar o caso? Se não, fique quietinho, baixe os ombros, faça cara de desolação e contenha-se.
Sempre há os engraçadinhos. Aquele que resolve fazer uma piada, só pra descontrair o ambiente. Meu caro, não há o que descontrair. Guarde as gracinhas pro twitter e não comente com o amigo ao lado. Já ouvi parentes gritando “Jesus, me chama”, não pela perda do ente querido, mas por ter ouvido uma piada nível Zorra Total. Guarde seus comentários indies maldosos pra você mesmo!
Não, você não precisa cumprimentar todo mundo quando for embora. Saia de fininho, seja gentil e low-profile. Por mais que o clima do ambiente se assemelhe ao tom de Parachutes, do Coldplay, não se contamine com a tia misteriosa que chora compulsivamente sem que alguém saiba o porquê ou com a ala da família que está preocupada com a herança.
Pra evitar todo esse protocolo e padronização, eu decidi que quando eu morrer, quero que meus pais gastem todo meu seguro de vida para alugar a The Week, fechar para os convidados do meu orkut e twitter, com a Flavia Durante contratada para tocar.
Felipe Luno, no Pink Ego.












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