Cuidado! Está cada vez mais difícil morrer de morte morrida
By Sergio on jul 5, 2009 in diversos
Já era de se esperar. O mundo não vai acabar em gripe suína, como não acabou em gripe aviária ou gripe espanhola. A não ser que as pessoas espirrem até seus cérebros explodirem, a humanidade não será dizimada ao som de um enorme “atchim”. Enquanto isso, procuramos novas formas de acabar com nossa raça, como nas pipocas de microondas cancerígenas.
Enquanto isso não acontece, eu te pergunto: para onde as pessoas foram? O planeta cresceu? E explico: quando eu era menor, o grande problema nas escolas era a superpopulação. Como se o mundo fosse um enorme presídio, professoras de aventais estranhos explicavam que a taxa de natalidade estava alta e que chegaria um dia em que as pessoas brigariam não por comida, mas por um espaço. O m² ficaria tão caro que casais fariam sexo apenas para economizar um lugar.
A engenharia genética ajudando casais a terem filhos em progressão geométrica, gêmeos começando a vida sexual aos 12 anos, corinthianos multiplicando-se na era Ronaldo e parece está chegando a hora do fim do oxigênio disponivel na Terra! Mas não! Ainda há espaço. Sim, eu sei que o metrô e o trêm são apertados, que há trânsito, mas não é exatamente como se alguém tivesse que te levar de cavalinho ao trabalho, né? Sempre imaginei que seria algo como aquelas pirâmides montadas por garotas de torcida americanas e que o céu seria o limite. São Paulo viraria um formigueiro e as pessoas na base seriam pisoteadas sem dó!
Aí a gente liga o jornal e entende tudo: aviões caindo diariamente, atropelamentos, assaltos, pessoas engasgando com bolachas de maizena, balas Soft perdidas no meio do estômago e concluo: Acho que nunca se morreu tanto no mundo. Ou será que a imprensa nunca falou tanto de morte como agora? A taxa de mortalidade está incrível. Viver se tornou realmente perigoso e acabou com qualquer risco de superpopulação.
O problema é que agora ficou complicado. As pessoas vivem mais. Antes se ia ao hospital para morrer. Hoje, é possível fazer um remendo e viver ate os 90 anos e a gente sabe que velhinhos acima de 70 anos são assassinos em potencial quando se trata de dirigir e, claro, se for para ele matar alguém, será você jovem, bonito e de vida sexual ativa.
Talvez seja muita neurose se preocupar com a morte, com tanta coisa acontecendo em vida, mas precisamos ficar atentos. Há uma onda estranha por aí. A morte anda matando mais do que antigamente. De forma sádica e cruel, ela prefere algo mais Jogos Mortais do que a mãe de Bambi. Cuidado, está cada vez mais difícil morrer de morte morrida.
Felipe Luno, no Pink Ego.










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