RSS Feed for This PostCurrent Article

Noite ao relento para visitar o amado

A rotina de centenas de mulheres muda quando se aproxima o fim de semana. Normalmente na sexta-feira pela manhã, elas começam a preparar diversos pratos de comidas e doces preferidos de seus amados em suas casas. Ao ficarem prontos, cortam e guardam tudo em vasilhas transparentes colocadas em grandes sacolas de plásticos. Fora os alimentos, também são separadas garrafas de refrigerantes, cigarros, sabonetes, creme dental e mais uma série de outras coisas.

Elas saem, na maioria das vezes, de bairros periféricos da Capital e do Grande ABC no começo da noite da sexta-feira. Chegam a encarar horas de viagem. Depois, uma noite ao relento, sob chuva e vento, em locais infestados por ratos, baratas e outros insetos. Tudo isso para verem seus maridos, namorados e amores que estão presos nos CDPs (Centro de Detenção Provisória) de Diadema, Mauá, Santo André e São Bernardo.

O Diário acompanhou durante uma madrugada a vida dessas mulheres na frentes dos CDPs da região. O impressionante foi a rapidez com que os presos ficaram sabendo da presença da reportagem nos locais. Em poucos minutos de entrevistas, os celulares das mulheres começavam a tocar e dava para ouvir elas explicando que era “o pessoal do jornal”. As filas começam a se formar na tarde de sexta-feira.

Segundo a professora de psicologia Angélica Capelari, da Universidade Metodista, essas mulheres se submetem a este tipo de situação por causa de dois sentimentos: o amor e a gratidão. “Essa é uma forma de manter o que tinha antes da prisão, mesmo sem a liberdade deles. Elas estão fazendo certo sacrifício. Mas essa é a realidade delas e tem que enfrentar”, completa Angélica. Leia +.

Willian Novaes, no Diário do Grande ABC.

Share

Trackback URL

RSS Feed for This PostPost a Comment