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Invenções chinesas que mudaram o mundo

Geralmente quando se fala em em tecnologia chinesa lembramos logo dos milhares de aparatos xing-ling que podem ser encontrados em camelôs de olhos puxados berrando “é trintla-e-tlêis leal” além de sites de compras.

O que poucas pessoas lembram é que foram os chineses que mais de uma vez revolucionaram o mundo na forma como o conhecemos hoje em dia, com invenções de séculos atrás mas que até hoje são indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Obs.: A.E.C. = Antes da Era Comum. A.E.C. e D.E.C. são termos equivalentes a A.C. e D.C. utilizados por quem não segue as religiões cristãs.

Papel

A criação do 1º papel do mundo, como nós o conhecemos, é atribuída a Tsai-lung (48-118 AD), um oficial da Corte Imperial durante a dinastia Han Oriental. A “versão” anterior havia sido criada pelos egípcios que usavam papiros das margens do rio Nilo. Já Tsai-ling usou um método conhecido como polpação que – como o nome sugere (ou não) – reduz a polpa de algumas substâncias vegetais. A princípio ele usou trapos e redes de pesca, logo mudando para fibras vegetais.

Algumas escavações arqueológicas feitas na província de Gansu, no nordeste da China, indicam porém que 105 anos antes papel já era usado para embrulhar espelhos de bronze além de certos remédios e até venenos. Somente a partir do século III é que o papel passou a ser usado como “local” de escrita e já no século VI passou a ter a sua maior utilidade: o papel higiênico.

A bússola

Ao contrário do que se pode pensar, as primeiras bússolas não foram criadas para a orientação mas sim para organizar e harmonizar ambientes e construções de acordo com os princípios do Feng Chui, corrente de pensamento com mais de 4000 anos que percebeu as influências das vibrações do vento e da água nos diversos locais – incluindo o corpo humano.

Há no entanto um certo desacordo em relação a quando a bússola foi inventada. O que se sabe é que a 1ª referência sobre magnetismo na literatura chinesa foi em “O ímã atrai o ferro” de Wang Xu, no século IV A.E.C. Este mesmo texto diz que as pessoas do Estado de Zheng sabiam sempre sua posição através de um “Apontador para o sul”. Não se sabe, no entanto, se se tratava de uma bússola ou de uma “carruagem que aponta para o sul”, um mecanismo legendário criado pelo Imperador Amarelo por volta de 2600 A.E.C.

Já o 1º texto falando da atração de uma agulha por um ímã foi escrita entre os anos 70 e 80 (não estou me referindo as décadas do século passado mas aos anos propriamente ditos). Por outro lado, somente encontraremos algo falando especificamente de um aparato magnético construído com o propósito de orientação em um livro da dinastia Song publicado entre os anos 1040 e1044 que fala de “um peixe de ferro em uma tijela de água que aponta para o sul.”.

Em 1088 é que existe uma menção incontestável falando de uma agulha magnetizada é nos Ensaios da Piscina dos Sonhos, livro escrito pelo sábio Shen Kuo, também durante a dinastia Song. Neste livro Kuo explica como advinhos esfregavam as pontas das agulhas em ímãs e as prendiam pelo centro em fios de seda.

Agora, somente no livro Conversas de mesa de Pingzhou, escrito entre 1111 e 1117 é que a agulha magnetizada é mencionada como um aparato de orientação: O navegador conhece a geografia, ele observa as estrelas a noite, olha o sol durante o dia; quando está escuro e nublado, ele olha a bússola.

Pólvora

Que manifeste agora ou cale-se para sempre quem não curte grandes explosões. Seja ao Alguém? Quem? Ninguém, não é? Pois bem. Se não fossem os nossos amigos de olhos puxados para baixo (os japoneses tem os olhos puxados para cima. Claro que isso não é regra mas uma simples questão de observação que meu saudoso pai ensinou quando ainda era moleque. Ah! Não me perguntem sobre os coreanos… não sei.) Rambo e companhia seria até bem chato de se assistir.

Acredita-se que a pólvora tenha sido descoberta por acaso alquemistas chineses em busca – claro – do elixir da imortalidade no século IX. Este “acaso” no entanto, foi o resultado de centenas de anos de experimentos alquímicos e não algo que tenha surgido do dia para a noite.

O salitre já era conhecido dos chineses por volta do século I e as evidências de que eles já usavam sulfa na fabricação de alguns remédios é são fortes. Um texto alquímico do ano 498 já notava que o salitre quando inflamado criava uma chama de coloração roxa. Esta informação foi provavelmente utilizada mais tarde quando os primeiros fogos de artifícios – outra criação chinesa – foram inventados.

Foi em uma passagem do texto taoísta Zhenyuan miaodao yaolüe que a pólvora foi mencionada pela 1ª vez: “Alguns aqueceram sulfa, rosalgar (nome vulgar do óxido de arsênio) e salitre com mel juntos; fumaça e fogo resultam, de modo que suas mãos e faces foram queimadas, e até uma casa inteira onde estavam trabalhando foi queimada.”.

Entre os anos 904 e 906 os primeiros “fogos voadores” começaram a aparecer como projéteis incendiários mas somente a partir de 919 a pólvora teria sido usada em uma guerra como fusível para outras peças incendiárias. As armas de fogo, porém, só começaram a aparecer durante o século XII, época de grande desunião, onde a infantaria e os cercos a vilas e cidades eram comuns.

Os recipientes de pólvora mais antigos foram encontrados em Wujing Zongyao e datam do ano 1044, sendo duas delas projéteis incendiários para serem jogados durante cercos e outra para a ignição de bombas de fumaça venenosa.

Pelo jeito, podemos adicionar ao currículo dos chineses a invenção da guerra química também…

Prensa tipográfica

Muita gente – e eu me incluía nesta lista até começar a estudar para escrever este post – comete o erro histórico de atribuir à Johannes Gutenberg o feitio do 1º livro impresso da história em 1452: A Bíblia de Gutemberg. Ele foi somente o 1º europeu a usar o sistema e aperfeiçoá-lo de forma que pudesse ser utilizado em larga – para a época – escala.

Acontece que o 1º livro impresso, foi também a 1ª tradução do Sutra de Diamante – parte do Mah?y?na s?tra da Prajnaparamita, ou Perfeição da Sabedoria Transcendental – do sânscrito para o chinês datada do ano 868.

Mesmo assim, os blocos de impressão mais antigos, já encontrados datam por volta do ano 220. Os blocos egípcios mais antigos chegam a no máximo o século IV, para se ter uma ideia. Tal técnica só foi chegar à Europa através dos islâmicos a partir do século XIV.

Foi Shen Kuo (lembram dele?) que começou a usar blocos de impressão independentes – onde cada caractere é feito em um bloco separado – de argila para a impressão em meados do século XI. Wang Zhen (fl. 1290-1333) e Hua Sui (1439–1513) aprimoraram o processo ao mudar a argila por madeira e ferro respectivamente.

Fonte: Me tire deste ócio

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1 Trackback(s)

  1. From Alunos da Metô | ago 23, 2010

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